Bárbara Lemos
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A nossa DIFÍCIL decisão…

A nossa DIFÍCIL decisão…

Já devia ter escrito este texto há uns dias mas esta semana tem sido muito complicada. O desconfinamento começou e as clínicas onde trabalho reabriram. Sei que foi pelos piores motivos, mas os dias maravilhosos que vivi durante esta quarentena já deixam muitas saudades!

Na minha profissão, fomos totalmente deixados ao abandono pelo nosso governo, durante mais de 2 meses não tivemos qualquer apoio. Foram portanto 2 meses sem trabalhar, e sendo que nós médicos dentistas trabalhamos à percentagem de cada consulta, se não trabalhei, então não recebi, é fácil fazer as contas!!!

Não tinha outra solução. Tinha de voltar a trabalhar. E se por um lado é uma decisão super fácil porque adoro a minha profissão, acreditem que era e foi a decisão mais difícil do mundo!

Soubemos da reabertura das clínicas no final do dia 1 de Maio. Foi comunicado que iriam reabrir logo dia 4 de Maio, algo que parecia impensável. Fomos a primeira profissão a ser fechada por decreto, mesmo antes da declaração do estado de emergência devido aos terríveis riscos de contágio (quando ainda haviam uns 200 casos de COVID), e fomos das primeiras a reabrir quando há mais de 20.000 casos!! Acreditem que passei essa noite a chorar, e os dias seguintes também. Como é que eu posso trabalhar não havendo escolas? O que faço com as minhas filhas? E principalmente, o que faço com a nossa Rafinha, com um sistema imunitário super comprometido e que deveria ser protegida acima de tudo? Passou praticamente 9 semanas totalmente fechada em casa… e agora? Ia trazer alguém para dentro de casa e que entrava e saia todos os dias para tomar conta delas? Pedia à minha mãe para vir para Coimbra, mesmo sabendo que está enquadrada nas pessoas de risco? O que faço eu? CHOREI MUITO… mas só havia uma solução.

Infelizmente eu não posso me dar ao luxo de não trabalhar, o maldito dinheiro condiciona TUDO! A solução só podia ser uma: a Kika ficaria connosco e podia estar comigo nos dias que não trabalho e quando estivesse a trabalhar fica na loja com o pai, sempre de máscara, tentando protegê-la ao máximo, sendo que se porta super bem e não incomoda ninguém. Mas a Rafinha era impossível ficar na loja. Primeiro porque não iria ficar sossegada, segundo porque ninguém iria conseguir trabalhar e por fim, e mais importante, porque não iria ficar protegida.

Tive de me separar mais uma vez da minha filha!! Como me custa dizer/escrever isto. Não se preocupem porque ela está super bem e super feliz. Está no seu lugar favorito do mundo e com a sua pessoa favorita: a nossa Mimi. Eu é que não estou feliz… sinto-me bem por saber que ela está tão bem, mas tenho o coração apertadinho de saudades!

A minha mãe está fechada em casa precisamente desde o mesmo dia que nós, ou seja, não há o risco de estar infetada. E a Rafinha saiu de nossa casa diretamente para a casa da minha mãe. Ou seja, estão as duas protegidas! E isso era o mais importante…

Se me custa? Custa horrores… A Rafa liga-nos 50 mil vezes por dia.. lol.. nossa sorte são estas novas tecnologias!! E adora falar connosco, cantar, dançar, mas sempre que lhe perguntamos se quer vir para Coimbra, qual é a resposta?? “NÃOOOOO.. que ficá em Guimaães cu a Mimi”… Sinto um alívio gigantesco por ela estar tão bem e tão feliz, mas custa muito.

Como vai ser o futuro? Quando irá regressar? Não sabemos… A única decisão é que ficará durante o mês de maio lá, isso temos a certeza. Agora, voltará em Junho e irá para a escola? Não sei, queremos aguardar pelo fim do mês para ver o resultado deste desconfinamento para tomar esta decisão. E será boa ideia voltar para a escola, sendo de risco? Mas e se não vier, fica lá o mês de junho todo? E logo a seguir tem as terapias intensivas em Braga em parte do mês de julho, agosto e alguns dias de setembro. Só irei estar com a minha filha em setembro?? Esta incerteza é terrível! E dói muito a separação!

Além de tudo isto, ao estar fechada são mais semanas sem terapias! Depois do intensivo que acabou no final de Fevereiro, a Rafa teve praticamente 1 semana e meia de terapias e depois tudo parou. Saiu de um intensivo, e sem fazer terapias de consolidação, vai voltar para outro!! Tudo correu mal, para todos eu sei, não é só para nós… Tudo mudou, as prioridades mudaram e nesta fase sinceramente eu só quero é que ela esteja saudável e FELIZ!

Desculpem o testamento…

E cá está, a nossa TERRÍVEL e DIFÍCIL decisão!!! Difícil para nós porque como podem comprovar pelas fotos, a Rafinha está MUITO BEM <3

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